sexta-feira, 17 de outubro de 2008

PT: 27 ANOS

PT: 27 ANOS

O Partido dos Trabalhadores completou no último dia 10 de Fevereiro deste ano 27 anos de fundação. O PT, fruto da união de diversos atores e atrizes dos movimentos sociais chega aos 27 anos depois de muitas lutas e amadurecido para o futuro.
Não há no Brasil e na América Latina como um todo uma experiência da construção deste Partido. O Partido de Perseu e Zilah Abramo, de Henfil e Chico Buarque. De Lula e seu. Meu. Nosso PT. Sofremos perseguições, derrotas. Choramos vitórias, fracassos, acusações levianas que proferiram contra nós. Mas rimos muito também, ao lado do povo.
Avançamos, crescemos nos centros urbanos e nos campos e matas. Não deixamos o sonho, a utopia socialista. Demos continuidade a todas as lutas para as quais nos propo- mos a lutar. Continuamos a luta de Chico Mendes. Continuamos a luta contra os preconce- itos e explorações. Colocamos Lula lá! E colocamos Lula lá duas vezes, primeiro 'por um Brasil decente', depois com 'a força do povo'. Derrotamos a mídia e derrotamos os falsos petistas, os que traiaram a sí próprios, os companheir@s e a história deste digno e imbatí- vel Partido.
Temos erros pois não somos perfeitos, mas tem erros que não cabiam a nós PT, errar. Não é o nosso mundo. Temos acertos e é preciso reafirmá-los a cada dia, hora, minuto, aniversário e horas difícieis de nossa militâncias. Companheir@s foram expulsos e outros saíram, criaram outros partidos sem liga, sem conteúdo, sem nexo, sem o mais importan- te, o reconhecimento do POVO. O PT é o Partido do Povo Brasileiro, e por esses 27 e pelos próximos 27 e mais 27 e mais 27anos... o povo estará com o PT porque o PT é o povo e não tem como separar um do outro.
Vivas ao PT!!!
Vivas ao Socialismo Petista!!!

PODERÍAMOS...

PODERÍAMOS...



Poderíamos ter como presidente um trabalhador,
Poderíamos ter como presidente um ladrão,
Poderíamos ter como presidente uma mulher de respeito,
Poderíamos ter como presidente uma prostituta,
Poderíamos ter como presidente um ex-drogado,
Poderíamos ter como presidente um psicologo,
Poderíamos ter como presidente um ex-detento,
Poderíamos ter como presidente um juiz,
Poderíamos ter como presidente um professor,
Poderíamos ter como presidente um estudante,
Poderíamos ter como presidente um pastor evangélico,
Poderíamos ter como presidente um pai de santo,
Poderíamos ter como presidente um jogador,
Poderíamos ter como presidente um viciado em jogos,
Poderíamos ter como presidente uma cantora,
Poderíamos ter como presidente um vendedor de CD's pirata,
Poderíamos ter como presidente um sem terra,
Poderíamos ter como presidente um fazendeiro,
Poderíamos ter como presidente uma menina de rua,
Poderíamos ter como presidente uma patricinha,
Poderíamos ter como presidente um negro,
Poderíamos ter como presidente um galeguinho,
Poderíamos ter como presidente uma mulher do norte,
Poderíamos ter como presidente um homem do sudeste,
Poderíamos ter como presidente um Rui Barbosa,
Poderíamos ter como presidente um Zé Ninguém,
Poderíamos ter como presidente uma Joana Angélica,
Poderíamos ter como presidente uma Maria qualquer,
Poderíamos ter como presidente alguém do povo,
Mas o povo brasileiro não quis e não quer,
Brasil o nome do seu sócio é o povo,
O povo brasileiro que colabora com tudo isso aí.


Texto originalmente escrito sem sua data de origem, mas fora escrito antes de 2002 cujas eleições consagraram Luiz Inácio Lula da Silva, do Partido dos Trabalhadores, PT, Presidente da República Federativa Brasileira, em segundo turno das eleições de outubro do referido ano. Com o seu final tendo uma alusão a música "Brasil" de Cazuza. Law Araújo.

O Paraíso

O Paraíso


Onde está o Paraíso para habitarmos?
Será muito longe ou estará tão perto,
Debaixo de nossos podres narizes
Que não o consegue cheirar?
Qual o cheiro do Paraíso?

Fomos expulsos do Paraíso
Tal qual Eva e Adão.
Fomos expulsos, isso é fato.
Mas qual nosso pecado?
O deles o da desobediência.

O nosso o da ineficiência.
Pecamos por covardia.
Nossa nudez foi revalada
Não a nós, mas aos outros:
Somos covardes.

Eu tenho medo dos que não tentam.
Eu tenho medo dos covardes, inércios,
Presos em suas covardias, achando
Que herdarão o Paraíso, por serem mansos.
Idiotas! Não entrarão na boa terra, tal qual Moisés.

Mansidão sim, covardia não.
Posso ser manso e ter coragem.
Ora, vou cantar para estes
O 'Blus dos Miseráveis', de Cazuza.

Mesmo depois destas letras
Ainda terão os que perguntarão
Onde está, como faço para adentrar
O Paraíso? Fingidos! Dizem que não é com eles.
Mas tenho que dizer, o Paraíso não existe.
Pelo menos não para os acovardados.


LAW ARAÚJO
escrito em 19/05/2007

OS CHEFES DO CRIME

OS CHEFES DO CRIME



Vocês não sobem o Morro nem entram nas favelas mas julgam os que descem de lá para trabalhar e estudar. Lá na "perifa" não tem casa com psicina, só aquelas que vendem em lojas de R$ 1,99 ( não por este preço ) e nas revistas.
Sabe-se pouco de quem vive no Morro e na "perifa" mas julga-se muito. "O Morro não tem vez..." Essa máxima é verdadeira. Não deram vez ao Morro e agora acusam o Morro. De quê? Que culpa tem o Morro? O Morro não produz drogas. O Morro e a Perifa não confeccionam as armas. Tudo o que está no Morro e na Perifa vem daqui. O chefe do crime somos nós! Sou eu, você, os políticos de todos os campos e partidos. A igreja, os empresários, as madames, a alta sociedade como um todo.
Lá no Morro acorda-se cedo, a roupa da cidade vai pra lá, para o "sujo" Morro lavar a roupa suja da "limpa" sociedade. Quem vive na Perifa e no Morro trabalha, estuda, quer ser professor, médico, advogado. Loca filme pra assistir, muitas das vezes em DVD de segunda mão ou de um salário suado e economizado a muito esforço. A vida dos periféri- cos em muitos casos é melhor do que a vida de quem está cá, no condomíneo fechado, cheio de grades, como se estivessem em prisões. E acusam o Morro por isso. Vocês tem medo de seqüestro relâmpago e acusam a periferia por seus medos, complexos, por ter que tomar calmantes para dormir. A insônia da nobre sociedade, aristocrata e alta socie- dade brasileira não é culpa do Morro ou da perifa e subúrbio. A culpa é da própria alta sociedade. Pobre, preconceituosa e promíscua.
"...Mas quando derem vez ao Morro, toda cidade vai cantar, vai cantar, vai cantar..." E vai dançar, vai comer galinha com a mão, tomar guaraná de dois litros e guardar a garrafa para pôr água na geladeira depois. O Morro, a Periféria e o Subúrbio precisam de oportu- nidade, igualdade e merecem todo respeito. Porque tanto o povo quanto o Morro são "valentes que nunca se deixam quedar..."


LAW ARAÚJO, autor
18/01/2007.

O PREÇO DO ÔNIBUS

O PREÇO DO ÔNIBUS


A passagem do ônibus subiu
Subiu mais uma vez em Salvador
Subiu em Salvador pela segunda
Vez só esse ano.

Agora é R$ 1,50
O quilo do feijão é R$ 1,60
Ou você come
Ou você entra
No ônibus e some.

O preço do ônibus subiu
Anuncia os jornais e televisões
Os estudantes protestam
Fecham o trânsito em
Todas as mãos.

O salário mínimo sobe
Pouco uma vez no ano
O ônibus sobe duas vezes
Só em um ano.

Ninguém aceita isso
Estudantes, camelôs, desempregados,
Funcionários públicos e donas de casa,
O prefeito de carrão e o povão
No buzão. Que vergonha, e a nova é:
-O preço do ônibus subiu.


LAW ARAÚJO, autor
escrito 30/8/2003
durante a 1ª Revolta do Buzú de SSA.

NILMAR

NILMAR



Nilmar simples garoto,
Nilmar senhor da bola.
Alegria da galera Corinthiana
E desespero das demais torcidas,
Que ainda assim o adora.

Salve! Nilmar
Nilmar do Corinthians
Salve! Nilmar
Nilmar que fica
Salve! o camisa 9

Grande artileiro
Querido do povo brasileiro
Mas licença à parte
Nilmar é do Corinthians

Garoto esperto, ousado,
Nasceu para a bola
E a bola para ele.
Nasceu pra brilhar...
E pra brilhar no Corinthians.

Esse é Nilmar,
Você conhece é claro
Afinal Nilmar nunca passa
E nem passará despercebido
Sem marcação

Pois a marca de Nilmar
É justamente a ação
A ação de fazer gol
De balançar a rede e
Discretamente olhar para a camera
Abrir o sorriso e abraçar os companheiros.

Law Araújo, autor.
escrito em 08/06/2006.

NA PONTA DE HUMAITÁ

NA PONTA DE HUMAITÁ



Na Ponta de Humaitá
Muitas belezas você vai encontar.
O mar, o sol e muita mulher bonita
Tem em Humaitá.
Passar uma tarde em Itapuã é bom
Mas é melhor em Humaitá.

Porque Humaitá é rica em belezas
Que não há em outro planeta
O sol de Humaitá brilha diferente
Queima a pele que a gente nem sente
As mulheres de Humaitá sorriem diferente
Seu sorriso encanta todo ser vivente


Humaitá!
Humaitá, oh! Humaitá
Mostra a tua beleza essa gente quer ver
Dá pra eles o encanto que só tem em você
E que pra mim diversas vezes você deu.

Texto escrito em 19 de abril de 2005. Law Araújo.

JUVENTUDE NEGRA

JUVENTUDE NEGRA


A Juventude Negra é vítima dia após dia do novo " holocausto " do século 21. O negro e a negra jovem vem vivendo os seus dias sem perspectivas e já na última gota de esperança. É uma galera sem emprego e com estudo de péssima qualidade, distor- cido, um ensino onde ainda se aplica a história de um povo negro subalterno, preguiço-so e macumbeiro.
A Juventude Negra sem trampo, fica em casa deixando-se alienar pelo maior instru-mento da elite: TV. Uma TV onde Lázaro Ramos só serve pra ser o negro humilhado, mas numa humilhação com muito humor, dizem eles. Uma TV onde o borracheiro dispu-tado por várias mulheres não é pela primeira vez, já que borracheiro é uma profissão tida como inferior, um negro. O borracheiro está alá Gianechinni. Este instrumento da elite vem com nome de TV aberta e gratuita e com o deboche de que também é de qualida-de.
Eis o perigo. Como é de graça e de fácil acesso, fica mais a exposição e seduz mais facilmente a todos os manos e as minas. É preciso se fazer uma Revolução Negra neste país, e cabe a nós, os negros e negras conscientes fazermos o trabalho de conscienti-zação em nossos irm@s negr@s. Vamos começar o processo de "quilombolização" em nossa rua, nosso bairro, em nosso grêmio, nossa facul, dentro de todos os D.A's, C.A's, DCE's. Vamos transformar nosso "mundinho particular" em grandes e revolucionários Quilombos.
Vamos mostrar a sociedade racista, a Rede Globo racista e aos políticos elitistas, a "coisa preta". Eles estão já há muito tempo pedindo pra ver a "coisa verdadeiramente preta". Então é hora de pára a cidade com queima de pneus e com estudantes nas ruas pra mostrar a verdadeira cara do Brasil. Brasil negro, índigina. Brasil de raças e multi-cores. Chegou a hora dessa gente NEGRA mostra seu valor.
Chegou a hora desse país negro se assumir. É chegado o momento do Brasil mos-trar a sua cara, não a pintada de verde e amarelo pra expulsar o presidente ou pra come-morar a final de copa do mundo, mas sua cara NEGRA, negra em sua raiz, negra em sua luta. É preciso políticas públicas de juventude voltadas para a Juventude Negra. O jovem negro precisa trabalhar para poder dar seu rolé com sua mina, comprar o que estiver ne-cessitando para seu uso ou de sua família, porque só assim se poderá fazer, com emp-rego, pois "... negro sem emprego fica sem sossego..." e " ...sem o seu trabalho o homem não tem honra, e sem a sua honra se morre se mata...".
Então, irm@s negr@s, vamos à luta. Vamos cantando "...não me pegue não, me dei-xe a vontade..." " eu sou negão... " sem repressão, sem medo. Apenas com a maior de todas as qualidades do povo negro, aquilo que podemos classificar como patrimônio do povo negro: a ALEGRIA, o SORRISO enorme no rosto e aquela famosa, excandalosa e gostosa GARGALHADA NEGRA.
Viva a Zumbi!!! Viva ao Almirante Negro João Cândido!!! Vivas a Luiza Mahim!!! Viva a Martin Luther King Jr e a tod@s guerreir@s negr@s de ontem, hoje e sempre!!!

LAW ARAÚJO.

25/06/2006

ÍNDIO

ÍNDIO


Chegaram aqui cheios de roupas,
Cultura e religião.
Viram índio nú e o chamaram de pagão.

Mataram os donos da terra,
Justo eles, que tinham Deus no coração,
E na catequese aprenderam -"Amai-vos irmãos".

Os índios hoje são poucos,
Políticas para eles não tem,
Quem lute por seus direitos,
Não há quem os defenda também.

Mas índio é guerreiro,
Com lança e flecha nas mãos
Defende sua terra, sua gente
E ama os irmãos.

Justo eles que Deus não tinham não.
Eram pagões, discrentes,
De Deus não eram não.
Vão pra cidade e morrem queimados.

Mas perdoam seus ofensores,
Clamam por justiça e união.
Salvem os índios, donos dessa nação.


Escrito em 19 de abril de 2005, Dia do Índio. Law Araújo.

Idade Penal

Idade Penal


Volta e meia o Brasil se pega nessa discussão: reduzir ou não a maior idade penal? O que fazer com os jovens infratores? Como ressocializá-los? Onde erramos? Quem errou, família ou Estado?
Depois da morte, triste e bárbara do garoto João, essa discussão voltou à tona. Alguns políticos, como os facínoras senadores ACM ( BA ) e Demóstenes Torres ( GO ) ambos PFL, futuro Partido Democrata, encabeçam junto com a mídia, em especial as organiza- ções ( ou desorganizações ) Globo da família Marinho, junto com setores da sociedade o pedido de redução da maior idade penal de 18 para 16.
Nossa sociedade é muito emotiva e abobalhada. Deixando-se mais uma vez levar por seus falsos e hipócritas sentimentos e pela mídia ( Rede de Esgoto, "plim, plim" ) pede justiça, quer reduzir por reduzir sem discutir os efeitos super colaterais que isso terá. O Congresso, corrupto e cheio de maus exemplos, quer aprovar para dizer que realmente estão ali para fazer o que o povo quer. Mentira! O Congresso quer apagar seus erros com mais este erro.
O Faraó baiano, presidente da Comissão de Constituição e Justiça ( CCJ do Senado ) deu uma antes do carnaval de menino mimado, " eu quero votar, quero, quero e acabou ". Se o senador do PT de São Paulo, Aloizio Mercadante não chama o Senado a reflexão e pede vistas no caso, os senadores que ficam 8 anos, 8 anos em Brasília para criar e votar leis, com cautela, aprovariam nas carreiras ( às pressas ) tal matéria, pelo mimo do Faraó.
Sou contra a redução. Sou contra e grito em alto e bom som. Hoje vão reduzir pra 16, amanhã 14, depois 9, um dia não haverá mais maior e menor idade penal. Chegará o dia em que um bebê que bater ou derrubar a chuca do outro será fichado na "delegacia de combate à crimes e infrações de bebês, crianças e jovens".
A redução da maior idade penal não traz alívio para ninguém, só dor, não põe fim na violência em nenhuma parte deste país. Os primeiros a sofrerem, mais uma vez, serão os negros. Os manos e as minas serão logo fichados, presos, espancados e dividiram celas com bandidos perigosos. Depois, os que pedem à redução da idade penal, vão falar em como ressocializá-los, não tem como ressocializar um ser humano posto em uma cela e tratado como bicho.
É preciso ir às ruas e tomá-las para dizer a mídia, a ACM, Demóstenes e outros que as coisas não são bem assim e que eles não devem se enganar com a cor da chita. Não me venha um Congresso cheios de legendas de aluguel, com um troca-troca de partido infini- to, grampos, corrupção e aumentos de salários querer limpar sua imagem com o sangue de uma 'juventude transviada'.
Vamos às ruas não pelo menino ou sua família ou pelas outras tantas vitímas, vamos às ruas pelos que ainda estão vivos antes que, assistamos a novos genocídios neste país que mata negros, jovens, mulheres, índios, sem-terras e sem-teto, desempregados e que põe crianças para vender os corpos e consumi e vender drogas.
Vamos ás ruas pela vida. Como disse Jesus, "deixai que os mortos enterram seus mor- tos". Vamos cuidar dos que ainda podem ser salvos. Vamos dizer não a redução! Reflete Brasil!!!

LAW ARAÚJO, autor
19/02/2007.

Era uma vez...

Era uma vez...


Era uma vez... Um mundo sem Deus a olhar por ninguém. Sem ninguém a dizer: "Deus te leve", "Deus te abençõe", "Deus te proteja", "Deus lhe pague", "Deus te livre das horas maus", "Deus é mais", "Deus me livre e guarde", "Tomara Deus", "Deus é brasileiro"...
Viu? Quantas coisas dizemos com o nome de Deus? Pedimos a Deus que nos dê um bom dia e que nos leve em paz e segurança e nos traga. Pedimos a Deus uma noite boa de sono e sossego. Pedimos a Deus saúde, dinheiro, paz, dinheiro, família feliz, dinheiro, emprego e mais dinheiro, cura de uma dor de cabeça, dinheiro... Às vezes agimos como se Deus fosse uma máquina de dinheiro da Casa do Tesouro Nacional.
Mas se Deus resolvesse não olhar por nós e nem nos ouvir por dez minutos. Isso, aceite meu desafio e pense que por dez minutos... Hum? É pouco? Vamos lá, uma hora. Pense que por uma hora Deus fechou os olhos e seus sentidos estão paralisados. Ele não nos ouve, não vê, não sente nosso cheiro e presença. Não sabe o que pensamos antes de termos pensado pelos próximos sessenta minutos. É isso. Deus não existe e não está, portanto, nos olhando, Era uma vez esse mundo sem Deus.
E ai o que fazer? Desesperar ou comemorar? Pode aprontar tal qual eu posso, sem Deus vê. Ou seja, você que vive de aparências, e que vive louco para cometer as maiores loucuras e atrocidades, pode assim fazê-las pois, Deus não há, pelo menos por uma hora e nesta história, neste mundo "encantado".
O carro vai bater, o trem vai virar, o avião vai cair cheio de passageiros, opa, não! Nada de pedir ajuda a Deus. Ele não existe lembra? O carro bate, o trem vira, o avião cai e as pessoas morrem em todos estes acidentes. Está chovendo, não peça por Deus, Ele não existe. Casas desmoronam e famílias ficam desabrigadas e alguns morrem. A cantora perde a voz, os ladrões assaltam. Confronto entre polícia e bandidos. Morte de cidadãos inocentes. Não chama... Ele não existe.
Ai você me diz, mas com Deus tudo isso ocorre. Sim, ocorre o carro que bate e gente morre. Ocorre de um trem virar e várias pessoas morrerem. Ocorre de avião de cair e morrer gente e ocorrem muitos confrontos entre a polícia e a bandidagem e os assaltos também, feridos, mortos, uma tragédia geral. Mas... Com Deus tem um diferencial, você chama por Ele na hora de aperto e Ele estende as mãos. Quantas vezes ouvimos de um avião que caiu e no meio de 100, 200 mortos um ou outro, cinco ou dez sobrevivem? Por quê? Quantas vezes também ouvimos falar de confrontos onde inocentes morrem e a polícia e o bandido escapam com vida? Quantas vezes uma pessoa vê outra morrer de seu lado e ela escapa? E quantos, saem de acidentes inacreditáveis sem uma secula ou até mesmo arranhões?
Isso é a mão de Deus. Aquele Deus que pedi que fizesse de conta que não existe, lembra? Aquele que você e eu também, fazemos de garçom, me traz isso, me dá aquilo e aquilo outro, lembra? Sem Deus não somos nada. Não podemos, mesmo com todo dinheiro e com toda saúde, viver sem ele nem por um minuto, nem por um segundo, nem por um millésimo de segundo. Eu sei, quando eu te propus que pensasse na inexistência Dele por uma hora você logo disse "Deus é mais". Realmente, é incabível pensar que podemos viver sem Ele. Sem seu olhar e sua mão, sem sua luz para enchegarmos durante o dia e a noite.
Não dá para brincar de "sou auto-suficiente", não somos. Precisamos dele para tudo. Pára dormir, pára acordar. Precisamos de sua ajuda, orientação e seu amor. O que seria de você sem Deus? De mim, nada, eu afirmo e reconheço. Um hino gospel, diz o seguinte em sua letra: "O homem só está de pé, protasdo aos teus pés, total dependência". Como estar de pé se estou na real de joelhos? As coisas loucas são para confundir as sábias. Só uma coisa é explicável. Nunca pense num mundo sem Deus, mas nunca se esqueça de que esse mundo não terá mais a compaixão dele, a luz, o olhar dele num momento ainda vindouro e que só Ele sabe quando será. Fica com Deus, porque eu fico também e agarro-o com todas as minhas forças.


LAW ARAÚJO, autor, 5/1/2008.

ELIS, 25 ANOS

ELIS, 25 ANOS



25 anos sem Elis Regina Carvalho Costa. 25 anos de silêncio numa voz meiga, suave e poderosa. Silenciou-se há 25 anos uma voz cheia de personalidade e autenticidade. Elis não era de meias palavras, não pousava de boazinha porque tinha que temer o que iam dizer. Pelo contrário, Elis dizia e não estava nem ai para o que iam falar. Tinha coragem e amigos, sabia o que realmente importava para ela.
Era cheia de frases mirabolantes como: " Tenho o prazer de me danar e me recompor sozinha, não preciso de muletas". Não tinha medo dos desafios. Tinha problemas, lógico, afinal era mortal, e se não fosse estaria aqui até hoje e viraria semente. Sua presença de palco era iniguálavel. Costumo ouvir seus CDs e imagino o que e quanto estaria cantando hoje, uma vez que Elis já era, é e sempre será a maior interprete da música universal.
Chico Buarque, Milton Nascimento, João Bosco, Jean e Paulo Garfunkel e outros estariam tendo grande trabalho para entregar novas e boas canções para ela gravar. Que bem fazia aos nossos ouvidos ( e ainda faz ) ouvir Elis Regina. Ouvir seus boleros "Dois pra lá, dois pra cá", "Bolero de Satã", suas músicas românticas, "Atrás da Porta" e seus sambas, "Rancho da goaibeira", "Vou deitar e rolar- Quaquaraquaquá" dentre outros. Que falta faz "Essa Mulher", que saudade que tenho desta que "Partiu num rabo de foguete".
Saudades de Elis. Saudades do Brasil de Elis. Vivas a sua memória e sua música e interpretações imortais!!!

LAW ARAÚJO, autor
escrito em 17/2/2007.

Derrame de Sangue Inocente

No país como em um todo, nós encontramos milhares de crianças nas ruas, vendendo doces, limpando pára-brisas de carros, pedindo esmola aqui e acolá.
Este espetáculo nas ruas brasileirastem exibição diária e público garantido. Só que este público, não quer ver. Os jornalistas que entendem de espetáculos, novelas e muito mais, não se reunem para julgar os melhores do ano. Melhor ator, atriz, apresentador, etc.
Nossa honrada, santa e "imaculada" sociedade e seus governantes ignoram os pequenos atores deste grande espetáculo. Estes meninos e meninas não estão nas ruas por opção, e sim, pela falta de opção. Abrir uma escolinha de futebol, uma casa de acolhimento para uns 10,15,20 ou 50 não basta. E os outros como ficam? Eles que já são excluídos pela socieda- de, ficariam ainda mais excluídos se uns recebessem ajuda e outros não.
Estas crianças de pouca idade e ambos os sexos, já sofreram ( ou sofrem ) o que mui- tos demoram anos para ver. Eles são os responsáveis pelo sustento da casa; do pai, da mãe e irmãos e irmãs. e quando o dinheiro do drops vendidos não dá mais para tapiar a barriga, eles e elas partem para o mundo do crime, da prostituição. Aí percebem que ven- dendo drogas e o próprio corpo o lucro, esse é maior do que o do drops vendidos nos sinais e nos ônibus.
Não faltam ofertas para essas crianças, assim como não faltam clientes para comprar em suas mãos as drogas; e clientes para tomá-los em suas mãos e fazer com elas e tam- bem com eles, o que elas e eles nem sabiam que ocorresse. Nossa sociedade alega não conseguir dormir por causa da situação de calamidade total em que estas crianças vivem nas grandes metropóles do Brasil.
E esta mesma sociedade que parece preocupada com as crianças e diz que não con- segue dormir bem, sabendo o que eles vivem, esta sociedade diz também que estes me- ninos e meninas são perigosos, e afirmam : "-Nós temos medo deles, por isso não dormi- mos, já que a qualquer momento eles podem tentar invadir nossos condomíneos, seques- tar ou matar nossos filhos que estão voltando da faculdade ou de uma festa bem legal." Nossa sociedade não dorme porque sofre de insônia e os seus caros remédios, aqueles para fazer dormir ou já acabaram ou já não fazem mais efeito.
Nossa sociedade que sofre de insônia e toma tranquilizantes para dormir, pede que o governo e as polícias dêem um jeito nesses muleques, pivetes, guris. E a nossa polícia, que é muito bem preparada e põe inveja nas polícias americana e européia, logo atende ao pedido da nossa "virgem e santa " sociedade brasileira. Eles caçam e matam os meni- nos e meninas que traficam e se prostituem nas grandes e belas cidades.
Eles caçam as crianças como se fossem animais, caros e que já estão entrando na lis- ta de animais em estinção. O ponto alto do espetáculo é quando ocorre o que a sociedade tanto quer, que é o DERRAME DE SANGUE INOCENTE. A polícia mata os pequenos "tr- aficantes" e as pequenas "prostitutas" do Brasil a mando da sociedade que paga altos im- postos e não merece conviver no mesmo hábitar que "pivetes" indeliqüentes e prostitutas mirins.
Os impostos pagos servem para a compra de armas e munições para enfrentarem os criminosos de 10, 11, 14 e 16 anos. Imposto pago, polícia na rua e o espetáculo continua, ' DERRAME DE SANGUE INOCENTE PARTE II- É LIMPAR A CIDADE OU LIMPAR.'
Agora serei chamdo de conivente com os que traficam e se prostituem. Não é isso. Também não sou eu, o "defensor dos fracos e oprimidos". Quero apenas dizer que nin- guém está nas ruas cheirando cola, vendendo o corpo e vendendo drogas porque é legal. Estão lá porque a santa e virgem sociedade é injusta com todos nesse país há mais de 500 anos. Desigualdade social é mais pregada e ensinada do que a palavra de Deus. Se os pais desses jovens tivessem sidos beneficiados no passado por uma verdadeira justi- ça social, hoje, eles, os meninos e meninas, guris e gurias, não estariam nas ruas.
Esses jovens delinqüentes que a polícia adora bater, matar e esquartejar e acusá-los até mesmo de serem seus próprios assassinos, sim, porque a polícia não os matam, eles é quem morrem, se fuzilam e esquartejam-se. Eles querem uma roupa e calçados novos no natal e revéillon, querem festa de aniversário com bolo e brigadeiro. Querem brincar e ser feliz enquanto crianças, estudar para que quando adultos possam servir à Pátria, que os maltrata e infelizmente os matam.


LAW ARAÚJO, autor.
escrito em 24/06/2003.

DE QUEM É A BAHIA?

DE QUEM É A BAHIA?



A Bahia é de Tom Zé e sua irreverência.
A Bahia é de turistas e seus moradores.
A Bahia é de trabalhadores como eu e você.
A Bahia é de traficantes e assassinos.
A Bahia é de meninos de rua e prostitutas.
A Bahia é de famílias de respeito.
A Bahia é das músicas de João Gilberto, Illê e Ivete.
A Bahia é do sossego de Dorival Caymmi.
A Bahia é do agito dos cantores de pagode.
A Bahia é do samba de roda e do reggae.
A Bahia é da fartura e da miséria.
A Bahia é do que tem fome e do que não quer comer.
A Bahia é de malucos beleza e de certinhos.
A Bahia é do Barradão e torcedores do Vitória.
A Bahia é da Fonte Nova e esta é do governo.
A Bahia é mau governada e mau tratada.
A Bahia é recuperada e embelezada.
A Bahia é do poeta.
A Bahia é do povo como o céu é do avião...


Escrito em 07 de julho de 2002, passado a limpo com pequenas alterações em 10 de março de 2006. Law Araújo, o autor.

CADÊ?

CADÊ?


Ligo minha TV e só vejo atores, atrizes, comediantes, jornalistas e apresentadores brancos. E os negros cadê? Passo pelas universidades e na roda de bate-papo dos universitários, eu só vejo brancos. E os negros cadê? Sumiu? E você me responde: ninguém sabe, ninguém viu.
Vou ao clube, sábados, domingos e feriados, só vejo brancos se banhando e se confraternizando. E os negros cadê? Vou ao cinema ver um enlatado americano ou um filme nacional, na platéia e na telona só vejo brancos. E os negros cadê? No shopping, entro em lojas e mais lojas, só sou atendido por brancos. E os negros cadê? Nos supermercados,as moça dos caixas são brancas. E as negras cadê? Sumiu? Você me responde: ninguém sabe, ninguém viu.
Entro no banco, pô! meu gerente é branco. E os negros cadê? Fui convidado pra ir a um grande show de uma cantora famosíssima, chego lá e... A cantora é branca. E as negras cadê? O técnico do meu time ( e dos times adversários ) é branco. E os negros cadê? Em um colégio, particular ou público, de cada grupo de dez professores que lecionam em uma determinada turma, nove são brancos. E os negros cadê? Você me responde: ninguém sabe, ninguém viu.
Os vereadores, prefeitos, vices, governadores, vices, secretários, deputados estaduais e federais e também os senadores e os ministros, vice presidente e o presidente, eles são em esmagadora maioria de brancos. E os negros cadê? Por fim, cançado de te ouvir dizer ninguém sabe, ninguém viu, eu vou a um jornal, que está cheio de brancos, para pôr um anúncio: "PROCURA-SE NEGROS, PORQUE OS DAQUI, SEGUNDO O QUE ME DISSERAM, SUMIRAM, NINGUÉM SABE, NINGUÉM VIU". Por favor me respondam para que eu possa enfim, parar de perguntar CADÊ?


Escrito em 13 de maio de 2003, dia em que se comemora a falsa abolição dos escravos brasileiros. Reescrito com leves modificações em 10 de março de 2006. Law Araújo.

O Bamba-Mor

O Bamba-Mor


O bamba partiu
e muita saudade deixou
Na roda de samba
seu samba preferido
ninguém mais tocou.

A volta do bamba
é esperada
Pra nas noites de samba
cairmos até madrugada. ( Volta pro início ).

Mas nos veio a notícia
o bamba não volta mais
Chora a mulatinha dengosa
lamenta os bambas que choram.

Sem o bamba-mor
não tem samba, não tem graça
Mas peraê cumpadre!
o bamba nos deixou ensinamento

E por causa do bamba
levanta minha gente
e samba. Canta.
Porque o samba não pára
Porque agente é bamba. ( Bis ).

O samba não pára
agente é bamba.

Law Araújo.
19/04/2005.

BAIANA

BAIANA



Baiana, cartão postal da Bahia.
Senhora do quitute mais apreciado
em toda esta terra.
Guloseima já provada por inúmeras pessoas.

Baiana que a todos serve com sorriso
e a alma repleta de alegria.
Que encanta os turistas, artistas,
gente simples e políticos desta terra.


Baiana que vende alegria,
coisinha gostosa de comer
ao chegar na Praça Visconde de Cayrú
e em todos os pontos dessa cidade.

Baiana do axé
Baiana da saia rodada
Bahia que sem baiana não é Bahia
Bahia que com baiana é mais Bahia e Brasil.


Law Araújo, autor, texto escrito em 25 de Novembro de 2005, Dia da Baiana de Acarajé.
Reeditado em 12 de Novembro de 2006, com pequenas alterações.

BAHIA...

BAHIA...



Ah! Bahia... Bahia de Dorival Caymmi, Tom Zé e Raul Seixas. Dizem que tu foras liberta no dia 2 de julho, grande mentira. Você Bahia, continua amarrada e acorrentada. Nem se quer a data de tua libertação fora mantida em teu aeroporto internacional, que hoje tem nome de deputado. Deputado este que não contribuíu tanto assim para tua história.
A melhor escola, a chamada "modelo", não recebeu o nome do poeta dos escravos, Castro Alves, ou o da guerreira Maria Quitéria. Muito menos o nome de um dos líderes da Revolta dos Alfaiates ou qualquer outro líder negro ou negra. Sua escola "modelo" tem nome de deputado que era filho de senador que renunciou ao mandato ao ser acuado, encurralado, precionado, atachado e desmascarado.
Eu tenho pena de ti Bahia. Porque dizem que você está no caminho certo, mas que caminho certo é esse? Sim, porque até pouco tempo sua capital Salvador era a líder do desemprego e agora deixou de ser primeirona para ser segundona. Quantos universidades Federais você tem Bahia? E quantas Minas Gerais tem? Como vai a tua segurança? E saúde e moradia? Mas a culpa Bahia, é do teu povo. O povo baiano que só quer comer acarajé e vê o Xandy e o Jacaré dançar. Um trio no subúrbio leva votos e mais votos, depois os suburbanos abrem suas janelas e vêem suas próprias feses flutuando nos esgotos a céu-aberto.
No dia em que o povo da Bahia parar de pensar com a bunda e passar a pensar com a cabeça as coisas começaram a se encaixar. Pois a cabeça foi feita para pensar e a bunda... Quando os estudantes ao verem o professor faltar ou enrolar com aulas de mentira e perceberem que necessitam do aprendiza- do a revolução juvenil terá início, pois como já dizia o poeta João Guimarães Rosa, "sapo não pula por bo- niteza e sim por precisão." Acorda Bahia e liberta-te dessa escravidão Carlista. Pára de pensar com os teus glutéos e pensa com o teu cérebro. Em mais de 20 anos de escravidão ainda não aprendestes o b a bá não?
Chega! Tu és terra de negro que não vota em negro. Tu és terra de pobre que não vota em pobre que realmente sabe o que precisas. Tua educação é débio, tua justiça ( como em todo país ) é cega, tua segu- rança é paralítica e tua saúde se ainda não morreu está bem proxima. Acorda Bahia para que verdadeira- mente sejas a terra da alegria. Pois o baiano que sorri no Itaigara, Barra, Graça, Orla e Pituba tem moti- vos bem diferentes do que aquele que sorri no Uruguai, Paripe, Pirajá, Jardim Cruzeiro, Cajazeiras e Li- berdade. Rico ri por ter dinheiro e porque cada dia que passa entra mais dinheiro em seus patrimônios. Pobre ri pra não chorar ao ver o dinheiro chegar entre 30 e 05 do mês seguinte e vê-lo ir embora no dia seguinte sem ter tirado proveito.
Muda Bahia. Mudem à Bahia, quem pede é um baiano.


Texto originalmente escrito em 20 de novembro de 2001, quando tinha 16 anos, com pequenas adequações em 10 de março de 2006, com 20 anos de idade. Law Araújo.

A ALMA DRUMMONDIANA

A ALMA DRUMMONDIANA


É impossível ler Drummond e não assumir um pouco de sua alma. Drummond injeta em cada um de nós um pouco de Itabira. Um pouco da alma itabirana. Alma forte. De ferro, diria ele.
A alma Drummondiana é pacata, reservada. Simples. É tudo isso sim, mas em tudo isso se traz paixão. N' alma Drummondiana não há a busca pelos holofotes. Não a corre- ria de outras almas. Afinal, você corre... Para onde José? A inquietação de outras almas, n' alma Drummondiana é mais serena. Não existe o louco desejo de morrer no mar, uma vez que o mar já secou, existe sim a sabedoria de que não podemos fazer tudo, pois te- mos somente duas mãos e o sentimento do mundo.
Um mundo cada vez mais louco e pervesso. Um mundo diferente da Itabira que pariu e viu parir Carlos Drummond de Andrade. O maior ícone da poesia brasileira antes e de- pois dele mesmo. Mais nesta vida que é corrida. A certeza da morte se mantém presen- te em todos os momentos, por isso mesmo é que temos a convicção de que nosso no- me um dia estará cravado na pedra, pois nosso nome é tumulto ( nossa alma não é tum- ultuada ), escreve-se na pedra, num jazigo onde logo depois nascerão flores amarelas de medo, de um medo que não cantaremos, pois não nos convém cantá-lo.
Na verdade nossa alma Drummondiana não pode fazer inúmeras coisas. É limitada além das limitações impostas a outras almas e mesmo assim, essa alma brilha mais que as demais. Tentam calar a alma Drummondiana, mas o mesmo não é possível. Mesmo sem poder dizer o que queremos em alta voz, mesmo com as ameaças de labaredas de fogo que possam queimar a nossa língua, nossa alma diz, grita: " Eu quero a puta, eu quero voltar a minha infância itabirana, mas Minas não há mais". Infelizmente, muito infe- lizmente nem Drummond há mais. Drummond é só um livro na estante, mas como dói.
Law Araújo, autor,
escrito em 08/06/2006.

A TERRA

A TERRA


Nasci em uma terra
Onde costuma-se roubar
O povo contribuí
Para não se aposentar
Vai para a fila do hospital
Pra remédios não encontar
O médico só chega mais tarde
É o horário dele lá.

Nessa terra tem polícia
Que costuma assassinar
Morre negro, morre branco
Morre ladrão e morre honesto
Honesto é o que mais morre
Pra somar com os negros.
Somos politizados pela TV
Pra não saber em quem votar

Somos semi-analfabetos
Somos analfabetos funcionais
Somos queridos de políticos
Em época de eleição
Somos esquecidos e ignorados
Para o " bem " da Nação
Somos funcionários públicos e indigentes
Somos burros ou somos gente?

Law Araújo, autor
escrito em 03/04/2004.